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Tributo a Emile Zola

Prólogo: Os últimos sopros – história de um trabalhador vítima da silicose (pulmão de pedra)

Inspirou profundamente!
Sorvendo a brisa daquele eterno momento
e foi expirando lentamente,
livrando-se dos males e do tormento.

Seu vívido semblante
ante o olhar de espanto
de seus queridos entes,
pois, este poderia ser seu derradeiro canto,
um sopro para germinar sementes
nas lágrimas de pranto
derramadas por um homem honrado, santo.

Histórias de vida e pó: desde os escravos nas minhas greco-romanas.

Trabalhando, noite e dia,
sofrendo no fino pó que os encobriam
não tinham tempo, época ou história
martelavam como antes outros povos o fizeram

sonhavam em trazer da labuta, pão e vitória
mas, da rocha, pulmões de pedra herdavam
nas incansáveis e exaustivas jornadas sem alforria
na nascente e no poente, dormiam e acordavam

em um ciclo que se repetia em uma luta inglória
contra os abusos da exploração, tosse, dispneia,                                                     adoeciam abrindo fendas na mãe terra,
precocemente descem a serra,
e viram as páginas de sua própria estória…

Até quando continuarão morrendo os mineiros?

Tributo do médico e poeta aos trabalhadores de minas, pedreiras e artefatos de pedras e, particularmente a Emile Zola pela sensibilidade de sua obra: Germinal, interpretada no cinema por Gerard Depardieu. Poema escrito em março de 2000.

Imagem: Pedreira Armitage & Sons, em 1878 – Woodlesford, Inglaterra.

 

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